Sexta-feira, Outubro 29

Tomai tento...

Estou vazio.
Consegui tirar o pipo da alma e
Esvaziar a consciência.
Não sinto nada.
Nem amor nem ódio.
Nem amizade nem inimizade.
O bem e o mal não pautam mais a minha conduta.
A indiferença total invade-me como um nevoeiro espesso.
É bom, sabem?
Assim não sinto pena de mim nem de ninguém.
Porque isso de ter pena dói!
E eu não suporto a dor.
Insultai-me. Força!
Eu sei que não é por indignação mas sim por inveja.
Porque vós não conseguis parar de sentir, como eu consegui.
Afastai-vos, pois podereis magoar-vos à minha passagem...

Quinta-feira, Outubro 28

Solidariedade bloguista

Não conheço o senhor António Balbino Caldeira. Não sei o que faz na vida. Não li o que escreveu. Sei só que é meu colega da blogosfera e, para já, foi enxovalhado pela “justiça”. Para ele vai a minha solidariedade. Porque se atreveu a publicar determinadas peças sobre o processo Casa Pia, foi lhe emitido um mandato de busca à sua residência e à de sua mãe, e foi-lhe imposto um termo de identidade e residência.
Como não me consta que tal tenha sucedido a qualquer outro jornalista, director de meios de comunicação social, funcionário judicial, advogado, juiz, deputado ou outra gente igualmente importante, que fizeram o mesmo em fase muito mais delicada daquele processo, pergunto qual a razão desta cena ridícula/trágica com este cidadão e neste momento? Dois pesos, duas medidas? Por muito legais que sejam as razões invocadas no mandato. Alguém me explica?... Não acredito já neste país em que o sistema judicial está cheio de gentalha hipócrita e oportunista, nem nesta qualquer coisa que nos oprime, porque de Justiça não se trata certamente.

Ditos...

Se ele disser que eu disse, é mentira que eu não disse. Ele é que disse.
Se eu dissesse que ele tinha dito, dizia o que ele disse e não o que ele disse que disse.
Sim, porque o que eu disse é efectivamente o que eu disse e o que ele disse.

Quarta-feira, Outubro 27

Outono...

Outono da folha caída
Da chuva e do dia
Que se faz noite sem nunca ser dia.
Em que cada um tem a sua própria nuvem
E o seu aguaceiro muito particular.
E o vento, indiscreto, descompõe, descarado,
O pano do guarda-chuva,
Revelando, às escancaras, o pudor de uma haste e cabo
Que se querem cobertos a bem do bem estar.
Gosto sim, do Outono!

Segunda-feira, Outubro 25

Fds

Não sei se influenciado pela Azul Limão, ontem jantei chá com scones. Oito deles. Com Becel e doce de framboesa. Devo dizer que fiquei cheio mas um pouco desconsolado. Encher, enchem, mas o paladar morre solteiro. Depois de um fim de semana totalmente cinéfilo-caseiro com um Van Helssing a abrilhantar o conjunto, graças ao meu gaiato. Que me perdoem os meus leitores de sentimentos mais delicados e intelecto mais sedento.
Gosto destes filmes espectaculares que não passam dos olhos para dentro, pois não há nada para passar. Assim ocupo o pensamento com coisas interessantes enquanto a vista se entretém.
Enfim, a pacatez total a embrutecer-me a existência. Há que, de vez em quando!

Sexta-feira, Outubro 22

Na Quinta...

Estou melhorzinho obrigado. Não entro em pormenores, como bem podem compreender.

Adormeci ontem com a Tvi a transmitir o Frota a saltar para trás dos fardos de palha com a Afonso. Alguém me diz o que aconteceu depois ? Não aguento a curiosidade!
Catedral erigida à coscuvilhice humana, este programa não tem ponta por onde se lhe pegue a não ser como matéria de estudo comportamental de indivíduos coabitando longamente em espaço confinado.
Irrita-me profundamente a amiga do burro sempre a puxar a perspectiva (será agora, será agora?) de hipotética futura cenasita de sexo. Que pinderiquice!
Não seria mais giro metê-los numa gaiola, não lhes dar de comer nem beber, e venderem apostas sobre o dia em que seria comido o primeiro naco de carne humana?
À dentada, é claro! Não ao empurrão...
Aqui está um tema de meditação para o fim de semana. Divirtam-se!

Quarta-feira, Outubro 20

Também sou um intelectual...

Hoje não estou capaz de comentar um evento interessante como as pérolas debitadas pelo Ministro dos não Sei Bem O Quê, as declarações do ilustre dirigente desportista Tal, a ira do presidente sindical Fulano, os comentários infelizes do jornalista Cicrano ou as dores da espandilose da Sra. Jaquina que vai pró olho da rua.
Não, hoje não.
Estou a Ultra-Levure e Dimicina e sinto-me infeliz e desconstruido (nunca tinha ouvido falar no Derrida mas acho que o termo se aplica neste caso).

Segunda-feira, Outubro 18

Pequena carta a ...

Tenho apreciado muito o teu blogue até há pouco. Mas agora desde que encetaste, de modo pouco elegante e sistemático, essa faceta anti-convicções que não são as tuas, não consigo achar graça e provoca-me uma reacção em mim próprio, de que não gosto. Sei que te vais estar perfeitamente a cagar na minha opinião. Mas pelo menos ficas a saber o que penso. Nunca morrerei engasgado. Se calhar estou-te a dar importância demais, mas é porque gosto de ti e da tua maneira brincalhona que também é a minha.
Apesar de não ser católico praticante não se me afigura correcto este tipo de piada sobre um símbolo desta crença com tal intensidade, a não ser em privado. O que fazes aqui passa por um certo tipo de proselitismo negativo que não beneficia ninguém, acho eu.
Não esqueças também que muita gente em sofrimento já só tem a esperança justamente no milagre.
Queres contribuir para que até isso lhes seja retirado, sem que alguém alguma vez tenha provado que os milagres não existem ?
Nota também que se fizesses chacota com o judaísmo ou com a religião maometana serias acusada de comportamento socialmente condenável. Como é com o catolicismo, o pessoal politicamente correcto nem liga.
Uma crítica forte a tantos aspectos negativos que a Igreja Católica, sendo obra de homens, tem, inclusive com humor a propósito, tudo bem. Não assim.
Não tenho qualquer espécie de direito sequer de sugerir que pares. Não é isso, como é óbvio.
Mostro somente que não gosto, e não falo em nome de mais ninguém. É tudo.
Teu ES.

Sexta-feira, Outubro 15

Insultos

Quem insulta sente-se melhor depois de insultar.
Logo, insultar faz bem a quem insulta.
Óbvio que quem é insultado não gosta e retaliará.
Por 3 razões:

1) Porque enfia a carapuça e reconhece-se secretamente nos termos do insulto.
2) Porque se sente injustiçado.
3) Porque pura e simplesmente se sente agredido pelo acto em si independentemente do seu conteúdo.

Quando o povo chama o Governo de incompetente, aldrabão, eleitoralista e corrupto, desabafa e sente-se melhor (ou não, mesmo assim).
Adivinhem então em qual das 3 razões se baseará, verdadeiramente, a reacção do Governo insultado.

Bom fim de semana.

Quinta-feira, Outubro 14

Infelicidade

Comecei a manhã a mandar uma boca foleira, supostamente piadética, a alguém por quem tenho muita estima e consideração, e levei logo na fronha, com razão.
Peço públicas desculpas à pessoa em causa reiterando as que já pessoalmente apresentei.
Prometo que vou ter uma barra de sabão na gaveta da minha secretária para lavar sempre a boca antes de falar.

As palavras são como o tempo: não andam para trás. Depois de articuladas já nada as para.
Ao fim de tantos anos eu já devia ter aprendido a segurar a língua e a não mandar da boca para fora tudo o que me vem à cabeça.
Emílio, ainda hás de morrer sozinho por teres afugentado com o teu humor subtil, inteligente e incompreendido, todos os que te rodeavam!

Quarta-feira, Outubro 13

Hoje estou assim...

Se alguém não compreendeu o latinês do post anterior foi por que não teve paciência de ler com atenção. Não posso traduzir pois eu nem sequer sei latim!

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Um pouco de ficção (?)

Ouvi com horror hoje de manhã que a causa da morte da pequena Joana poderá ter sido para encobrir o testemunho de um acto de incesto entre a mãe e o tio, seu próprio irmão. Pobre mocita, morreu por viver atrasada no seu tempo.

Com o rumo que as coisas levam não tardará a aparecer um lobby de Incestuosos a reivindicarem o direito à orientação sexual que bem entendam e também assim ao casamento. E serão muito aplaudidos pela coragem de se mostrarem.
É incrível a adaptabilidade do ser humano às mais diversas circunstâncias. A estas também.
Levada a sua avante, os Incestuosos conseguirão que a consanguinidade tome conta da Humanidade.
Coexistirão Árvores Genealógicas com Matrizes Genealógicas.
Malformações e doenças que ainda não existem grassarão nos grupos sedentos de sexo interfamiliar indiscriminado e na sua descendência. A prole de gente sã cruzar se á inevitavelmente com híbridos dos Incestuosos, que poderão ou não ser estéreis.
Casamentos Gay à fartasana e Incestuosos por aí ao léu, é ver os índices demográficos em queda livre.
A população activa deixará de poder suportar os modernos deficientes. Os idosos não constituirão problema uma vez que terão deixado de existir, assim como os reformados, pois a esperança de vida média não ultrapassará os 35-40 anos.
Sejam todos muito felizes!
Porque se isto acontecer foi porque a maioria votou nos que terão feito as leisinhas bem prá-frentex.

Emílio, O Cínico Quadradão

Terça-feira, Outubro 12

Ave, primus inter parvus...

Secundus primus Lopus annus seguintes est “annus phantasticus”, cum impostus claudicandibus et rendimentuus crescentibus. Ave Lopus. Ave!
Nun sapemus si nosteres annus aquentaribus quanta venturae!

Emilius Sousarum dixit...

Segunda-feira, Outubro 11

Sábios Pensadores I

"A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por
nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e,
de braços cruzados, perguntar-lhe:
Senhor, que desejais que eu faça?"

Zaratustra (filósofo persa, século VII A.C.)

Sexta-feira, Outubro 8

Escultura VI




15 x 15 cm

Por agora é tudo.

Quinta-feira, Outubro 7

Esculturas V

Um dos dois barros que fiz este fim de semana comprido e estou-lhe a tomar o gosto!




Compr. 18 cm

Quarta-feira, Outubro 6

Nadas...

Cavalguei, enlouquecido, pensamentos que não eram meus.
Saltei, descontrolado, valas que não abarcava a boca.
Corri, tropeçando, maratonas alheias,
No intangível universo das palavras vãs
Com que os arautos da desdita cativam os crédulos.
Acabo espalhando tinta em telas vazias para que
Olhos cegos não contemplem
As composições que não consigo
E as cores que não combino.

Sexta-feira, Outubro 1

Covardia...

Na fraga altaneira onde o mar desabafa a fúria das raivosas vagas,
Filhas dos ventos de depressões de antanho,
Eu me sento, sentido e tentado,
Pela distância de um ínfimo balanço,
A extirpar de mim as mágoas e as dores que tenho,
E nada mais restar do que o passado.
Poderei reter no pós-ser que, pelo menos, fui amado
E o futuro incerto certamente para mim não o será!